Sábado, 3 de Dezembro de 2011

O Fado e Eu

Confesso que ouço pouco fado, mas fiquei até com algum orgulho quando soube da notícia de que o fado fora classificado Património Imaterial da Humanidade. Um reconhecimento de um género musical só nosso que representa a nossa cultura, mas... o nosso modo de estar e sentir? Não sei. Pessoalmente não me vejo como ''ai eu coitadinha, da minha vida, vítima do destino fatal'' hmmm não. Nem acho que a minha geração seja assim. Somos mais de nos queixarmos, mas com outro vocabulário sem ''ais'' e ''inhos'' pelo meio e acomodados de certa forma, sem nos mexermos muito com a perspectiva disto ficar cada vez pior.

Reconheço que sou um pouco ignorante da manifestação fadista e a minha relação com o fado é um pouco estranha. Não o ignoro totalmente por que faz parte da minha cultura. Reconheço, igualmente, a sua qualidade musical, acho bonito o som da guitarra, mas nem todas as vozes me convencem A nova geração do fado não me impressiona. Julgo serem meras cópias e modelos já criados de uma fábrica em série de cantores. Tornou-se numa moda. Todos cantam com o nariz para cima, pescoço esticado, de mãos nos bolsos (homens), de braços abertos (mulheres), de olhos fechados e com ar sofredor. Alguns dos artistas mais conhecidos que vendem discos e enchem plateias não me emocionam. Sou esquisita com modelos copiados da fábrica de fadistas.

E se é o fado uma música de sentimentos, o sentimento genuíno não se encontra nesses artistas que vendem discos, mas sim nas ruelas da Lisboa antiga. Mas não falo daquelas casas de fado que exploram o turista. Ele esconde-se antes naquelas tavernas onde os homens e as mulheres do bairro sacam com toda a sua alma esse ''sentemento'', o verdadeiro fado. Sai desalinhado, desafinado, mas é com alma e é o que interessa. Esse, para mim, é o verdadeiro fado e é esse que representa a nossa cultura e a nossa história de um sentimento de séculos, trazido pelo mar, pela saudade. E com esta não escrevo mais.

0 comentários: